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Religião Roteiro Homilético

6 de janeiro / 2013 - Epifania do Senhor/C
Liturgia do domingo 

ONDE A ESTRELA PAROU 

1ª leitura: (Is 60,1-6) Adoração universal em Jerusalém – Por ocasião das deportações que despovoaram a Galileia, em 732 a.C., Is 9,1 anunciou nova luz para aquela região. Duzentos anos depois, um discípulo de Isaías repete a mesma imagem, aplicando-a a Sião, ao povo de Judá que, de volta do exílio, se meteu a reconstruir a cidade e o templo (Is 60,1). “Torna-te luz”, esquece a fadiga e o desânimo, Deus está perto. As nações devolvem a Israel seus filhos e filhas que ainda vivem no estrangeiro, e oferecem suas riquezas ao Deus que realmente salva seu povo. – No Novo Testamento, os magos que vêm do Oriente realizam esta profecia; a eles, o Cristo aparece como a misteriosa “luz”. * Cf. Ap 20,10-11.23-24; Is 9,1; 2,1-4; 49,18-21; Sl 72[71],10.

2ª leitura: (Ef 3,2-3a.5-6) Os gentios participam também das promessas divinas, em Cristo – As promessas do A.T. se dirigem a Israel. Mas Deus vê mais longe. Isso, já os antigos profetas o sabiam, mas o judaísmo o esqueceu. Até Paulo o aprendeu com surpresa: a revelação do grande mistério, de que também os gentios são chamados à paz messiânica; e a revelação de sua missão pessoal, de levar esta boa-nova aos pagãos. * 3,2-3a cf. Ef 3,7; Cl 1,25-26; Rm 16,25-26 – 3,5-6 cf. 1Pd 1,12; Jo 14,26; Ef 2,12-19; Rm 15,7-13.

Evangelho: (Mt 2,1-12) Os magos do Oriente adoram Jesus – No novo povo de Deus, não importa ser judeu ou gentio, importa a fé. O evangelho de Mt termina na missão de evangelizar “todas as nações” (28,18-20), e já no início, os “magos” prefiguram isso. Os doutores de Jerusalém, ao contrário, sabiam onde devia nascer o Messias, mas a estrela da fé não os conduziu até lá. * cf. Nm 24,17; Jo 7,42; Mq 5,1. 

***   ***   *** 

A Epifania marca a fase final do ciclo natalino. Celebra a manifestação (epifania, em grego) de Deus ao mundo, na figura dos reis magos que, representando o mundo inteiro, vão adorar o menino Jesus em Belém. A liturgia retoma o tema da luz – luz que brilha não só para o povo oprimido de Israel (como na 1ª leitura da noite de Natal), mas para todos os povos, segundo a visão do profeta universalista que escreveu o fim do livro de Isaías (1ª leitura). Jerusalém, restaurada depois do exílio babilônico, é vista como o centro para o qual convergem as caravanas do mundo inteiro. Essa visão recebe um sentido pleno quando reis astrólogos do oriente procuram o messias nascido de Davi – nos arredores de Jerusalém, em Belém, cidade de Davi (evangelho). A 2ª leitura comenta, mediante o texto de Ef 3,2-6, esse fato como revelação do mistério de Deus também para os pagãos.

Toda a liturgia de hoje é permeada pelo sentido universal da obra de Cristo. Mas para não cairmos no universalismo abstrato e global das grandes declarações internacionais, que nunca chegam até o chão, encontramos aqui, como na festa da Mãe de Deus, a inserção bem concreta de Jesus num ponto “parcial” da humanidade. Mesmo não sendo a menor das principais cidade de Judá (Mt 2,6), Belém não passa de um povoado que os magos nem sequer encontram no mapa. E contudo, nesse momento, é o centro do mundo, assim como Ezequiel, por volta de 580 a.C., chama a aparentemente insignificante terra de Israel de “umbigo da terra” (Ez 38,12). O ponto por onde passa a salvação não precisa ser grandioso.

Belém representa a comunidade-testemunha, não o império oficial do poderoso Herodes. É centro do mundo, não para si mesma, mas para quem procura o agir de Deus. Não em Roma, nem na Jerusalém de Herodes, mas na Belém do presépio é que a estrela parou. Para mostrar que não depende do poder humano, Deus se manifesta no meio dos pobres, no Jesus pobre. 

CRISTO PARA OS DE LONGE 

Na Igreja oriental, 6 de janeiro é Natal, na Igreja ocidental romana, é a Epifania, manifestação do Senhor. A Epifania, que acrescenta ao Natal? A manifestação de Cristo aos que vêm de longe. Deus avisou os magos do oriente a respeito do nascimento do Salvador. Os magos viviam em países longínquos, que o povo de Israel lembrava com certa amargura: a Babilônia, terra do exílio; a Arábia, terra inóspita... Representantes dessas terras tão alheias vão adorar o Messias na cidade de Davi, Belém – assim anunciam a 1ª leitura e o evangelho! A 2ª leitura aponta a unificação de Israel com os “gentios” (os pagãos do mundo grego, da Europa), no novo povo de Deus, que é a Igreja, corpo e presença atuante de Cristo no mundo de hoje. Todos participam da mesma herança: a salvação em Cristo Jesus.

O menino nascido em Belém atraiu os que viviam longe de Israel geograficamente. Mas a atração exercida por Jesus envolve também os social e religiosamente afastados, os pobres, os leprosos, os pecadores e pecadoras... Todos aqueles que de alguma maneira estão longe da religião estabelecida e acomodada recebem em Jesus um convite de Deus para se aproximarem dele.

Quem seriam esses “longínquos” hoje? Os muçulmanos do Iraque (a antiga Babilônia) e da Arábia? Por que não? Mas talvez a estrela brilhe de modo especial para os que, em nosso próprio ambiente católico, ficaram afastados do templo. O povinho que ficava no fundo da igreja, ou que não podia ir à igreja porque não tinha roupa decente... Graças a Deus estão surgindo capelas nos barracos das favelas, bem semelhantes ao lugar onde Jesus nasceu e onde a roupa não causa problema

Há também os que se afastaram porque seu casamento despencou (muitas vezes se pode até questionar se ele foi realmente válido). Jesus se aproximou da samaritana, da pecadora, da adúltera... será que para estas pessoas não brilha alguma estrela em Belém?

E os que viraram as costas aos problemas do povo? Haverá um convite para esses, também?

Será que, numa Igreja renovada, o Menino Jesus poderá de novo brilhar para todos esses afastados, como sinal de salvação e libertação? Depende um pouco da atitude dos “fiéis”. Se ser fiel significa permanecermos com o nosso grêmio, com os nossos costumes de sempre, bem protegidos contra quem possa ter outra experiência de vida, outra visão do mundo, então a luz de Cristo não vai ser vista muito longe. Mas se ser fiel é entendido como a imitação da vida missionário de Jesus, que ia ao encontro daqueles que estavam longe, então vale lembrar os reis do oriente e celebrar a Epifania, a gloriosa manifestação do Filho de Deus. 

(O Roteiro Homilético é elaborado pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total. A produção do Roteiro Homilético é de responsabilidade direta do Pe. Jaldemir Vitório SJ, Reitor e Professor da FAJE.)

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