Notícias Economia
Dólar tem maior baixa mensal desde fevereiro
Por José de Castro
SÃO PAULO - Os indicadores econômicos no exterior devem continuar direcionando o movimento do dólar frente ao real em agosto, mas elementos internos, como a perspectiva de um leilão de swap reverso, também serão monitorados pelo mercado.
A moeda norte-americana encerrou julho com queda acumulada de 2,7 por cento, a maior desde fevereiro, num período em que o alívio nas preocupações com a crise de dívida europeia ajudou na recuperação do apetite por risco.
Nesta sexta-feira, o dólar recuou 0,28 por cento, para 1,756 real. No ano, a divisa reduziu a alta para 0,75 por cento.
A trajetória do dólar em relação ao real acompanhou a recuperação das bolsas de valores globais e do euro, que nesta sessão era negociado acima de 1,30 dólar.
Mas o quadro ainda incerto sobre o ritmo da retomada econômica nos Estados Unidos manteve investidores um pouco cautelosos.
O relatório sobre o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano do segundo trimestre coroou uma safra de dados macroeconômicos indicando desaquecimento da maior economia do mundo. Profissionais apontaram que as perspectivas mais modestas para os EUA também pesaram sobre o dólar.
"O dólar perdeu valor ante todas as moedas. Teoricamente aqui a gente (real) deve continuar se valorizando", disse Carlos Allievi Jr., gestor da Infinity Asset.
Thaís Marzola Zara, economista-chefe da Rosemberg & Associados, compartilha da visão de que a taxa de câmbio local seguirá influenciada pelos eventos externos.
"Vamos continuar de olho nos fatores internacionais, mas acredito que o dólar tende a permanecer nos atuais níveis", afirmou. "Pode até haver notícias negativas e aumento da aversão a risco, e com isso o dólar subir por aqui, mas penso que deve retornar (ao patamar anterior)."
Swap reverso na pauta
Investidores voltaram as atenções ao mercado de câmbio futuro, depois que o Banco Central realizou no dia 23 uma sondagem informal sobre o apetite para um eventual leilão de swap cambial reverso. Até agora nenhuma operação nesse sentido foianunciada.
"Com o swap (reverso), o BC vai tentar reduzir o cupom cambial, que tem aumentado devido às posições vendidas dos bancos (no mercado à vista)", acrescentou Allievi Jr., citando que as compras diárias de dólar pela autoridade monetária estimulam a exposição vendida dos bancos.
O swap cambial reverso é um derivativo que funciona como uma compra futura de dólares. Com a operação, o BC paga ao mercado um rendimento em juros e recebe em troca a variação cambial do período de duração do contrato.
A operação ajudaria a brecar a alta das taxas de juros locais em dólar.
Diante das dúvidas sobre se o BC vai de fato realizar o leilão, o FRA (forward rate agreement) de cupom cambial para outubro, por exemplo, subia a 1,9 por cento, mas ainda assim estava abaixo de 2,75 por cento, nível máximo alcançado nesta semana para o vencimento de setembro, até então o mais curto.
Em contrapartida, Thaís Marzola Zara, da Rosemberg & Associados, lembra que o mercado ainda aguarda os ingressos advindos da capitalização da Petrobras, o que funcionaria como outro elemento simpático à queda do dólar.
Últimas notícias / Economia
- QUI, 09/09/2010
- Déficit comercial dos EUA encolhe mais que o esperado em julho
- Ranking mundial de competitividade coloca Brasil em 58º lugar
- Produção de café em 2010 deve ser quase 20% maior do que a do ano passado
- Pão de Açúcar vê vendas brutas acima de R$20 bi para Nova Globex
- IPCA fica abaixo do centro da meta em 12 meses
- BC destaca redução dos riscos ao cenário inflacionário
- Brasil colhe 149 milhões de toneladas de grãos
- Inflação oficial sobe para 0,04% em agosto
- Ministros do Mercosul discutem integração industrial
- Copom vê redução dos riscos ao cenário inflacionário, mostra ata










Comentários