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Arte e Cultura

06/08/2012  |  domtotal.com

Damien Hirst, o artista mais rico do mundo

Alguns o chamam de gênio, outros rotulam sua obra como lixo vendido a preço de ouro.

  • "O homem anatômico": obra cara e controvertida (Divulgação)
  • Damien Hirst diante de uma de suas instalações (Divulgação)
  • "A Virgem Mãe", obra acusada de blásfema (Divulgação)
  • Formas monumentais na entrada das galerias (Divulgação)
  • Damien na inauguração de uma de suas exposições (Divulgação)
  • Instalações gigantescas nos salões da galeria Tate Modern de Londres (Divulgação)
  • "Legenda", uma das obras mais requisitadas. (Divulgação)
  • Pelo amor de Deus, a obra favorita de Hirst: 8.601 diamantes incrustados (Divulgação)
  • "Quase normal": aberrações físicas a preço de ouro (Divulgação)
  • "Tubarão": obsessão com espécies animais (Divulgação)
  • A exposição, em cartaz até setembro na Tate Modern (Divulgação)
Por Marco Lacerda*

Alguns o comparam a Andy Warhol. Outros acham que ele não passa de um cara-de-pau que sabe transformar em milhões de dólares uma arte que é puro lixo. Assim é Damien Hirst, nascido em Bristol, na Inglaterra, há 46 anos. Jamais teve problemas de consciência pelo fato de ser o artista mais rico do mundo, embora muitos apontem o pintor chinês Zeng Fanzhi para o posto. Seja quem for o número 1, Hirst domina com perfeição a arte de ganhar dinheiro, muito dinheiro.

Mas nem sempre foi assim. Quando jovem via companheiros de geração triunfar enquanto lhe faziam pouco caso. Tudo mudou em julho de 1988, quando, junto a outros estudantes do Goldsmith College, organizou uma exposição em um edifício abandonado perto das docas de Londres. Um dos professores de Hirst convenceu alguns importantes críticos de arte para visitar a mostra. Dois anos depois, um dos críticos, Charles Saatchi compareceu a uma outra exposição do artista e ficou boquiaberto diante da obra “Mil anos” – umas enorme caixas transparente cheia de vermes e milhares de mosca revoando sobre a cabeça ensangüentada de uma vaca. Saatchi comprou a obra a tornou-se padrinho de Hirst, que logo se converteu no geniozinho da jovem arte britânica.

Há pouco, “Mil anos” ocupou lugar de destaque na retrospectiva de Damian Hirst organizada pela prestigiosa Tate Modern de Londres, junto a suas telas seus animais nadando em formol, suas mariposas (vivas ou mortas), suas vitrinas cheias de remédios e suas caixas de cigarros Marlboro.

Há alguns anos, o próprio Hirst proclamou que jamais exporia na Tate Modern, mas parece ter mudado de idéia. Por quê? “Não sei, respondeu, evasivo em entrevista ao jornal francês Libération. “Também disse que não gostava de quem fuma e hoje sou quem não fumo. As coisas mudam. Eu era bem mais jovem quando disse isso, quando pensava que os museus são para artistas mortos. A gente cresce, fica mais velho. Hoje tenho três filhos, mas quando era jovem disse que nunca teria filhos”.

Hirst promove suas exposições como se fosse um ator de cinema. Os jornalistas são convidados para coletivas em grupos de três que duram apenas vinte minutos. Como uma prima-dona, ele parece farto do monótono assédio da mídia. Acomodado num sofá de couro em um enorme salão vazio no sétimo andar da Tate, ele olha diretamente nos olhos ao apertar a mão de cada jornalista, sempre transbordando autoconfiança. É claro que lhe importa pouco o que pensam dele. Está acostumado a ser elevado ao céu ou atirado aos quintos dos infernos.

Como um artista acusado pela crítica de não saber pintar, cujas obras podem ser substituídas por cópias caso o original se deteriore, se tornou um homem tão rico? “Não sei, talvez porque eu tenha sorte. Não sei como responder a essa pergunta. Com certeza porque as pessoas gastam os tubos comprando meus trabalhos. Acho que a pergunta não é porque sou tão rico, mas se mereço ser tão rico”

Seja como for, Hirst sabe como gastar o que ganha. Tem casas na Tailândia, México, um fabuloso iate ancorado em Chelsea e uma mansão campestre em Toddington Manor, em Gloucestershire, onde pretende instalar um museu particular. Soma-se ao seu espólio uma casa de campo do século 18 em Devon, uma das regiões mais belas da Inglaterra, com a vantagem de ficar longe de Londres.

Damien vive em Devon com sua namorada de sempre, Maia Norman, uma americana da California com quem tem três filhos, o mais velhos dos quais hoje com 17 anos. O preço de fabricação da escultura “Pelo amor de Deus”, de 2007, com 8.601 diamantes incrustados, chega perto dos 17 milhões de euros. O artista assegura que a vendeu no mesmo ano por 60 milhões, mas vozes do mundo das artes suspeitam da informação.

Divisor de águas 

Por trás da fortuna de Damien Hirst paira sempre uma dúvida: se as pessoas compram suas obras por admirá-la ou como mero investimento. “As pessoas compram minhas obras por razões variadas. Suponho que alguns realmente gostam do que faço. Lembro de ter conhecido um cara em Paris que disse ser meu colecionador mais antigo, que comprou um dos meus quadros por 500 mil libras, que agora está avaliado em milhares de libras”.

“Tem gente que compra sua obra por acreditar na sua arte e a conserva pela convicção de que tem mais valor que o dinheiro. Há outras que compram e vendem no dia seguinte. Dois colecionadores, há alguns anos, compraram dois dos meus armários de remédios, os venderam em seguida pelo triplo d preço e ficaram encantados. Hoje batem a cabeça na parede de arrependimento, pois sabem que poderiam ter faturado muito mais”

A obra de Damien Hirst divide o mundo das artes. Um de seus críticos mais ferozes, Julian Spalding a compara aos empréstimos hipotecários que provocaram a crise financeira internacional. “Quem a compra e ganha dinheiro com ela, é esperto, mas serão idiotas se começarem a perder”, afirma Spalding que aconselha os colecionadores a vender o que têm enquanto podem, “pois a reputação de Hirst é uma casca vazia que logo vai explodir”.

Como na crise das hipotecas, a arte de Damien seria uma bolha de fumaça e espelhos, inchada pela cobiça egoísta e pela quimera, sem nenhuma conexão com a realidade. Spalding se diz escandalizado com os excessos da arte conceitual e põe a Tate Modern à frente desses excessos. Aos que pensam assim, Hirst lança um “Up yours” que vem da alma. Trata-se de uma expressão vulgar que quer dizer “vá tomar no...” ou “vá à merda”. Para ele, gente como Spalding precisa dele para vender livros.

Retrospectivas de Damien Hirst na galeria Tate Modern. Veja o vídeo: 


*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do DomTotal


Comentários








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Tatti | 26/05/2013 19:20
Arte contemporânea é lixo. E essa criatura descrita no texto é a quintessência do trash. É uma arte vazia, desprovida de significado que serve de commodity num mercado que já está em fase de bolha a muito tempo, o mercado da arte. Mas mesmo sendo uma porcaria, não deixa de refletir nossos tempos decadentes de individualismo louco, e principalmente, de ações efêmeras. Tudo é regido pela obsolescência programada, dos produtos de consumo, até a arte. Por Sorte a arte contemporânea, efêmera por natureza, tbm irá passar. E rápido. Afinal, lixo não é destinado a continuidade. Ninguém vai falar de Damien Hirst e outros YBA's daqui 50 anos.
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R. E.M. | 26/03/2013 08:25
FALASSE MUITO DOS LUCROS DE DAMIAN COM SUAS OBRAS, MAS PRA MIM É CLARA A MENSAGEM DA ALTA DESTRUIÇÃO DO HOMEM, ATRAVÉS DOS ALIMEMTOS INDUSTRIALIZADOS QUE FAZEM PIOR DO QUE MOSTRAM SUAS OBRAS DE ARTE, DOS NOSSOS VÍCIOS EM REMÉDIOS E CIGARROS PARA SACIAR NOSSAS FRUSTAÇÕES E CARÊNCIAS EMOCIONAIS, A PESCA DESENFREADA RETIRANDO DO MAR O ALIMENTO DE GOLFINHOS, PINGUINS, E TUBARÕES, QUE MORREM DE FOME PARA SACIAR NOSSA FOME E SACIAR A GANÂNCIA DAQUELES QUE NÃO PRODUZEM MAIS ALIMENTOS DE QUALIDADE NÃO RESPEITAM O CICLO DA NATUREZA, MAS QUANDO TUDO É PERMITIDO EM NOME DOS LUCROS, ASSIM COMO DAMIAN FAZ EM SUAS OBRAS DE ARTE...
responder comentário Responder R. E.M.







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Carlos Leão | 07/08/2012 08:16
Um dos melhores textos sobre arte contemporânea já publicados aqui no Domtotal. Consubstanciado, informativo e interativo, mostra ao leitor o que de melhor (?) fez Damien Hirst. Se uma das características da arte contemporânea é ser instigante, eis aqui uma grande mostra. Kandinsky dizia que "Cada época cria uma arte que lhe é própria e que nunca renascerá”. Já o critico John Berger sentencia: "A arte de qualquer período tende a servir aos interesses da classe dominante." E o pensamento de Andy Warhol talvez sirva para uma reflexão mais intimista sobre esse momento de perplexidade que ora passamos: "Ser bom nos negócios é o mais fascinante tipo de arte. Ganhar dinheiro é arte. Trabalhar é arte. E um bom negócio é a maior arte." Parabéns, Marco. Você foi perfeito na sua análise e seu texto uma verdadeira aula para os amantes da arte.
responder comentário Responder Carlos Leão







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