Arte e Cultura
Edward Hopper, o pintor da solidão humana
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Edward Hopper: Auto-retrato, de 1925 (Divulgação)
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Dois no corredor, de 1927 (Divulgação)
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Quarto em Nova York, de 1932 (Divulgação)
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Nighthawks (detalhe), de 1942 (Divulgação)
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Verão, de 1943 (Divulgação)
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O Martha McKeen da Wellfleet, de 1944 (Divulgação)
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Primeira fila da Orquestra, de 1951 (Divulgação)
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Sol da manhã, de 1952 (Divulgação)
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Shopsuey, de 1929 (Divulgação)
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Escritório à noite, de 1940 (Divulgação)
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Escritório de Nova York, de 1962 (Divulgação)
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Noite de verão, de 1947 (Divulgação)
Embora seja um dos pintores americanos mais conhecidos e admirados na Europa, poucas foram as exposições das obras de Edward Hopper (1882 -1967) no Velho Mundo. Com o objetivo de preencher esse vazio, duas instituições de peso somaram força e prestígio: o museu espanhol Thyssen-Bornemisza, que abriga a mais importante coleção de obras do artista e a Réunion dês Musées Natinaux, sediada em Paris, porque a pintura francesa do começo do século 20 foi uma referência fundamental na formação de Hopper.
O resultado é a exposição “Hopper”, reunindo 73 obras do autor, inaugurada no Museu Thyssen Bornemisza, em Madri, no dia 12 de junho, que fica em cartaz até 16 de setembro, de onde segue para o Grand Palais de Paris para uma temporada que irá de outubro de 2012 a janeiro de 2013. A curadoria é de Tomàs Llorens, diretor do museu espanhol.
Pinturas, desenhos, gravuras e aquarelas compõem a primeira parte da mostra da qual fazem parte trabalhos de artistas como Félix Valloton, Walter Sickert, Albert Marquet e Edgar Degas, criando um diálogo semelhante ao que no passado mantiveram com Hopper. A segunda parte está centrada na maturidade artística do pintor, disposta de forma temática, destacando os temas mais recorrentes em seu trabalho, seguindo sempre um fio cronológico.
Realismo moderno
Apesar de ser um pintor popular e aparentemente acessível, as obras de Hopper são um dos fenômenos mais complexos da arte do século 20. Ele foi um dos principais representantes do realismo do século passado, embora tenha vivido muitos anos trabalhando como ilustrador, ignorado pelo público e pela crítica. Seu primeiro quadro, “Veleiro”, foi vendido em 1913 e o segundo, “Água-Furtada”, em 1923. Mas Hopper teve que esperar até os 43 anos de idade para desfrutar o sucesso da sua primeira exposição numa galeria de Nova York e finalmente poder dedicar-se apenas à criação artística.
A Grande Depressão americana de 1929 não chegou a ser um obstáculo para que os grandes museus e colecionadores comprassem suas obras. Em 1930, “Casa junto à ferrovia” foi a primeira tela a integrar a coleção do recém inaugurado MoMa, de Nova York, doada por um colecionador. Três anos mais tarde, as paredes do museu estampavam 70 obras daquela que foi sua primeira retrospectiva com quadros cedidos por colecionadores do todo o país. Assim Hopper saiu do anonimato para tornar-se um dos artistas mais valorizados dos Estados Unidos.
Americanismo e realismo são, desde o começo, atributos-chave de sua pintura. Seus quadros são um retrato fiel do país. Revelam sua cara mais moderna sem idealizá-la, mostrando a realidade de maneira simplificada. Embora paisagens e cenas ao ar livre façam parte da obra, a maioria das telas são imagens colhidas em lugares públicos, como bares, hotéis, estações de trem, arrabaldes vazios com fortes contrastes entre luzes e sombras que acentuam a solidão e o drama do homem moderno.
O primeiro episódio importante para a evolução da pintura de Hopper foi a descoberta da gravura. Apesar do reduzido número de peças do gênero que ele assina, seu formato e técnica – que a situam a meio caminho entre a pintura e a ilustração comercial – levam a gravura a ocupar lugar essencial na obra do artista.
Nessa fase Hopper opta por acentuar os contrastes entre luzes, utilizando o papel mais branco e carregando nas tintas negras mais densas. Figuras solitárias, como em “Vento de tarde” (1921), arquiteturas imponentes, com em “A casa solitária” (1922) ou enquadramentos espetaculares, como em “Sombras noturnas” (1921) antecipam temas que aparecerão em obras posteriores.
Em 1923, Hopper realiza suas primeiras aquarelas na cidade costeira de Gloucester (Massachusetts), utilizando como motivo principal as casas vitorianas da região. Esse tema, que pode ser observado em exemplos como “Casa dos Abbot” (1926) ou “A casa de Marty Welch” (1928), tem grande potencial dramático para o artista, devido aos jogos de luzes e sombras que se produz em suas fachadas. Seu encontro com esta técnica marca um momento que determinará o desenvolvimento posterior de sua obra.
A maturidade
A partir de 1925, a obra de Hopper encontra definitivamente sua força poética e formal. “Casa junto à ferrovia” é um prenúncio do seu estilo inconfundível. O crítico Lloyd Goodrich escreveu sobre o quadro: “Sem pretender ser mais que um retrato simples e direto de uma casa feia, a tela consegue ser uma das mais comoventes e desoladoras manifestações de realismo jamais vistas”
A cronologia das pinturas de Hopper em sua maturidade artística revela os momentos de consolidação dos grandes tema de sua obra: a vida nas cidades, a intimidade, o isolamento, a melancolia, o presságio de maus tempos, a complexidade das relações interpessoais. A maioria de suas telas mostram cenas da vida cotidiana nos Estados Unidos. São temas norte-americanos que tocam as pessoas comuns ao retratarem a vida moderna.
À primeira vista suas composições podem parecer absurdamente simples, mas logo se descobre, por trás, uma bem cuidada e estudada elaboração que sempre leva uma narrativa implícita. Nesses cenários, Hopper situa pessoas solitárias e até casais ou grupos cujos integrantes se mostram alheios aos demais, sem comunicação entre si. Em “Quarto em Nova York” (1932), por exemplo, há duas figuras presentes. Enquanto o homem lê um jornal, a mulher, do outro lado da mesa, toca, distraída, um piano. Ambos os personagem isolados em seus mundos. Mestre da desolação e da solitude, Edward Hopper entrou para a história como o gênio da arte que congelou o vazio urbano no tempo.
Ella Fitzgerald canta "Summertime", de George Gershwin. Veja o vídeo.
*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do Dom Total
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