Multimídia Entrevistas

25/06/2010

José Roberto Torero: literatura e futebol


José Roberto Torero nasceu em Santos há 47 anos. Seu talento é múltiplo: escritor, cineasta, roteirista, jornalista e cronista de esportes. Formado em Letras e Jornalismo pela Universidade de São Paulo, Torero é autor de 20 livros, entre eles "O Chalaça", vencedor do prêmio Jabuti.

Escreveu roteiros pra cinema e tevê, como “Retrato Falado”, estrelado por Denise Fraga, sua atriz favorita. Seus roteiros e filmes – entre eles “Pequeno Dicionário” Amoroso – já foram premiados nos quatro cantos do planeta.

Torero assina uma coluna semanal sobre futebol no jornal Folha de São Paulo. Na entrevista que concede ao jornalista Marco Lacerda ele fala sobre a relação entre literatura e futebol, duas de suas muitas paixões. Já em plena Copa do Mundo, ele manda um recado tardio ao técnico Dunga: “Dize-me quem escalas e te direi quem és”.

José Roberto Torero é o convidado da semana no Dom Total. Confira abaixo trechos da entrevista e no áudio acima a entrevista completa.


Marco Lacerda: Para começar, quem é José Roberto Torero?

José Roberto Torero: Não o conheço muito bem, apesar de conviver com ele há bastante tempo. É um médio volante esforçado, principalmente é torcedor do Santos Futebol Clube e está um tanto insatisfeito com o Dunga.

A coisa que mais gosta de fazer é escrever livros - já escreveu 17. O último será publicado em breve e se chama “O Evangelho de Barrabás”. É um livro que conta a história daquele homem que disputou com Jesus a liberdade (quem fez aula de catecismo vai lembrar).

Pôncio Pilatos colocou Barrabás e Jesus frente ao povo e pediu que escolhessem qual seria libertado e qual crucificado. O povo escolheu Barrabás, o que significa que ele era, talvez, mais popular que Cristo na época. Então inventei uma suposta biografia para este homem, do qual se sabe muito pouco.


Lacerda: E qual é a origem do sobrenome Torero?

Torero: De minha avó, senhora Margarida Torero, que veio da Espanha e trouxe este nome. Na verdade, é uma enganação. Quando você pensa em Torero, a imagem é de um cara alto, magro, corajoso, atlético, o que não é exatamente a minha situação (risos).


Lacerda: Além de cineasta e escritor você trabalha com TV e é cronista esportivo. Pode comentar um pouco sobre essa pluralidade de atividades?

Torero: Realmente quem escreve é sempre muito plural. Escrevemos de várias formas, em vários veículos. Acabam sendo facetas diferentes do mesmo trabalho.

Do mesmo jeito que um sapateiro também conserta bolsas e chapéus, o escritor também faz as variantes do seu trabalho. Não é assim tão estranho.


Lacerda: Na fritada dos ovos você se sente mais diretor, mais jornalista, mais roteirista, o quê?

Torero: Mais escritor, que é minha função principal.


Lacerda: Torero, como você se interessou por cinema?

Torero: Sou de Santos, que é uma cidade apaixonada por cinema. É a nossa saída típica. Em Minas Gerais, as pessoas saem muito para conversar no bar, em São Paulo, para ir ao restaurante.

Em Santos, no meu tempo, você saía para ir ao cinema. Era o grande passeio da cidade. No final da década de 60, Santos já tinha mais de 20 cinemas, sempre muito cheios, como uma programação decente, onde passei boa parte da minha juventude.

De tanto ver por diversão - e não por obrigação - a gente se interessa pelas coisas, seja cinema, literatura ou matemática. E o cinema foi dando tanto prazer que acabei fazendo cinema, minha terceira faculdade. Antes fiz letras e jornalismo.


Lacerda: A Copa do mundo está aí, Torero. Quais são as suas expectativas? Qual é em sua opinião a seleção em melhores condições de vencer?

Torero: Apesar do esquecimento do Dunga, a melhor seleção é a do Brasil. Ele não levou três jogadores importantes (até meio óbvios): Ronaldinho, Ganso e Neymar. Mas, mesmo assim, acho que temos a melhor seleção.

Vai ser um time muito sólido, que vai numa certa agonia, mas tem muitas chances. A Espanha joga bonito, talvez mais que o Brasil.

Gosto também da Costa do Marfim (...), que tem um jogador espetacular, o Drogba. Acho que pode ser uma surpresa. Infelizmente, está na chave do Brasil.

Mas estou otimista, acho que a seleção vai jogar bem, vai entrar empenhada e vai conseguir uns gols milagrosos. Sempre no sufoco, mas irá bem.


Entrevista realizada pelo jornalista Marco Lacerda no programa FrenteVerso, que vai ao ar aos domingos, às 21h, pela Rádio Inconfidência FM (100,9), de Belo Horizonte.

Comentários







Ruth | 13/08/2010 21:40
Adorei a entrevista! Show de bola. rs


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