Multimídia Entrevistas

30/04/2010

Zíbia Gasparetto: espiritismo e mediunidade


Um dia, nos anos 50, Zíbia Gasparetto acordou no meio da noite e saiu pela casa falando em alemão como um homem, idioma que ela nem conhecia. Zíbia passou então a frequentar um centro espírita onde entrou em contato pela primeira vez com uma entidade espiritual chamada Lucius.

Em pouco tempo, esse ser do outro mundo ditou pra ela o seu primeiro romance, “O amor venceu”. De lá pra cá Zíbia, Gaspareto tornou-se uma usina de produção de livros e uma das escritoras mais lidas do país, sempre psicografando textos ditados por Lucius.

Apesar de essas obras serem tidas como espíritas, assim como a crença da autora, a médium Zíbia Gaspareto cobra pela venda das publicações. Assim ela se tornou proprietária um pequeno império editorial.

Este método de enriquecimento, porém, estaria em desacordo com os princípios espíritas que proíbem que remuneração de qualquer tipo seja recebida por indivíduos detentores da mediunidade. É pra falar sobre esta e outras questões ligadas ao espiritismo que Zíbia Gaspareto é a convidada da semana no Dom Total.

Confira abaixo trechos da entrevista e no áudio acima a entrevista completa.


Marco Lacerda: Como se deu a sua aproximação com o espiritismo?

Zíbia Gasparetto: Aconteceu de repente. É uma coisa que a gente não corre atrás. Desenvolvi a mediunidade e, a partir daí, passei a estudar juntamente com meu marido, que na época era vivo.

O estudo nos trouxe muitas respostas às nossas indagações e a situação foi caminhando. Depois apareceu a psicografia e estou aqui há mais de 60 anos trabalhando com isso.


Lacerda: De que maneira esse contato com os espíritos interfere na sua vida?

Gasparetto: Eles me dão plena liberdade. Simplesmente disseram que, enquanto eu estivesse dentro da ética da espiritualidade, eles estariam comigo. E continuam até hoje.

Foi uma influência muito boa. Mudei muito, aprendi muito. No momento em que estou escrevendo, aqueles conceitos se tornam muito claros. Quando o espírito se aproxima, a impressão é que a minha mente fica mais lúcida com aquela interferência. Começo a perceber coisas que não percebia e isso me ajudou muito.


Lacerda: O que é a psicografia? Quando e como você começou a psicografar?

Gasparetto: Quando desenvolvi a mediunidade, meus filhos eram pequenos, então não podia ir para a Federação Espírita estudar o assunto. Mas meu marido foi e começamos a fazer em casa aquilo que os espíritas chamam de evangelho no lar.

Eu e ele nós sentávamos para estudar o livro dos espíritos, o livro dos médiuns, Allan Kardec. Trocávamos idéia a respeito e fazíamos uma ligação espiritual pedindo ajuda para a nossa família, uma vibração para a paz. Em uma destas reuniões, meu braço começou a doer muito. O osso doía do cotovelo até a mão, que mexia sozinha, não conseguia controlar os movimentos.

Meu marido, que já havia estudado um pouco sobre o assunto, falou: “isso pode ser psicografia”. Ele, então, colocou papel e lápis e a minha mão começou a escrever.

A princípio foi uma escrita quase que direta, mas em seguida passou a ser ditado. O espírito chegava e falava dentro da minha cabeça tudo rapidamente (porque a energia deles é muito mais rápida que a nossa).

Na outra dimensão em que eles vivem, o tempo é contado de maneira diferente. Aqui somos lentos dentro da matéria do mundo. Lá, eles são muito mais ágeis, então têm que diminuir um pouco a energia para fazer o contato (só que para nós ainda é muito rápido). Dessa forma, a escrita é muito rápida.

Atualmente eu faço isso pelo computador, estou escrevendo três livros. Chamo o final onde paramos e o espírito continua. Quando ele não dita nada (ou quando para), tenho que parar também. É assim que funciona.

Posso notar a diferença porque também escrevo, atualmente, e tenho aprendido muito. Faço matérias para o jornal “O Dia”, do Rio de Janeiro, e para a revista “Viva Mais”. Quando vou fazer minhas matérias, os espíritos não ajudam, então elas me dão muito trabalho.


Lacerda: Como o espiritismo vê o crescimento constante da violência no Brasil, espalhando medo e horror por toda parte? Nossa violência é um problema social ou é obra de maus espíritos?

Gasparetto: Acredito que é fruto da ignorância do ser humano. Acontece que muitos espíritos, quando passam para o outro lado, não querem deixar a Terra. Estão presos, seja ao mundo material ou às coisas que deixaram. São espíritos mais ignorantes, não têm muita evolução.

Eles querem ficar e os espíritos superiores permitem, porque não fazem por violência, não querem levar à força. Os superiores dão um tempo porque sabem que, durante esse tempo, os espíritos revoltados vão aprender com as desilusões e vão acabar se rendendo, pedindo para ir embora.

É isso o que acontece, o mundo está rodeado destes espíritos. Há 40 anos atrás, uma médium já havia me falado que eles iriam se reunir no Rio de Janeiro, que seria formada uma comunidade de espíritos perigosos que poderiam influenciar as pessoas.

Só que observamos que isso acontece em outros lugares do mundo, depende muito de educação. Precisamos educar nosso povo, ele não tem conhecimento. A ignorância é a causa. Não utilizo a palavra de maneira pejorativa, e sim no sentido de não saber.


Entrevista realizada pelo jornalista Marco Lacerda no programa FrenteVerso, que vai ao ar aos domingos, às 21h, pela Rádio Inconfidência FM (100,9), de Belo Horizonte.

Comentários







Edna | 12/05/2010 14:24
A Zibia se acha no direito de receber pelas obras, porque há muito se deixou desvirtuar pelo dinheiro. Seus livros são bons best-seller espiritualistas, mas se quiserem conhecer a doutrina consultem o acervo das instituições assistenciais do Espiritismo Cristão, espalhadas no Brasil inteiro e observem a difusão das obras de Allan Kardec, em todo o nosso País, com a supervisão e o devotamento da Federação Espírita Brasileira e será fácil reconhecer a presença do Espiritismo em sua legítima expressão, a definir-se como sendo o retorno das criaturas ao Cristianismo simples e puro. O Chico respondeu a alguém que o interpelara quanto ao dinheiro dos livros, ponderando que as editoras deveriam conceder-lhe parte de suas rendas: "- Não é nada, mas, o dia que eu aceitar pelo menos um tostão do produto da venda de qualquer livro desses, deixarei de ser Chico Xavier, ou seja: menos do que nada!"
VALDECY JOSE DOS SANTOS | 05/05/2010 12:13
Para quem psicografa a tantos anos, achei a entrevista fraca e sem mensagem alguma que possa acrescenta coisa alguma. PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR. Se ela não é autora dos livros, porque se acha no direito de receber por eles?


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