Fato em Foco
A vida de João Paulo II ao som de Ennio Morricone
Embora ainda não se conheça o enfoque que será dado ao espetáculo teatral, já é público que o compositor italino Ennio Morricone foi designado para criar sua trilha sonora, o que é uma garantia de que pelo menos nesse quesito o projeto estará bem servido. Morricone é um dos compositores mais conhecidos no panorama cinematográfico por suas trilhas magistrais.
Segundo o portal Religião Confidencial, o projeto já conta com a aprovação do Vaticano. Entusiasmado com a iniciativa, o arcebisco de Cracóvia, Estanislao Dzwisz, secretário de Karol Wojtyla até sua morte em abril de 2005, chegou a participar inclusive das gestões para encontrar possíveis participantes no espetáculo cujo nome ainda é mantido em segredo.
Esta não é a primeira vez que se faz um musical sobre a figura carismática do papa polonês João Paulo II, antecesor de Bento XVI, o alemão Joseph Ratzinger. O espetáculo “Não tenham medo”, produzido na Espanha, inspirado na frase do discurso inaugural do pontificado de Wojtyla, em outubro de 1978, ainda não chegou à Polônia, onde encerrará sua turnê mundial. Anteriormente, em 2009, “Wojtyla Generation” (Geração Wojtyla), uma produção italiana, estreou na terra natal do papa, cuja vida serviu de inspiração para a montagem. A história do pontífice já foi contada também em inúmeros livros e DVDs, disponívies nas livrarias e locadoras.
Segundo informações da agência Efe, o espetáculo lembrará a Polônia invadida por Hitler em 1939, durante a II Guerra Mundial, quando Karol era um talentoso ator de porte atlético, com futuro promisso, mas que acabou optando pela religião que o conduziria à cátedra de Pedro. O musical abordará também o papel decisivo de João Paulo II na queda do regime comunista na Polônia. Tanto é que logo após a derrubada do governo, o primeiro ato do vitorioso líder do partido Solidariedade, Lech Walesa, foi pegar um avião para Roma. Ele quería agradecer ao papa. A Igreja católica estava no centro do mundo e o papa era o pivô em torno do qual a História girou naqueles anos.
A música de um mestre
Ao longo de sua carreira o maestro romano Ennio Morricone, hoje aos 84 anos, foi responsável pela composição e arranjo musical de mais de 500 filmes e programas de televisão. São de sua autoria as trilhas sonoras de alguns dos mais conhecidos "spaghetti westerns" do cineasta Sergio Leone, como “Por um punhado de dólares” (1964), “Por uns dólares a mais” (1965), “Três homens em conflito” (1966) e “Era uma vez no oeste” (1968). Seus trabalhos mais recentes incluem as trilhas de grandes filmes como “Era uma vez na América” (1984), “A missão” (1986), “Os Intocáveis”, “Cinema Paradiso” (1988), “Lolita” (1997), “Bastardos inglórios” (2009) e uma lista interminável de obras que lhe garantiram um Oscar honorário em 2007, além de ser agraciados cinco vezes com o prêmio Bafta do cinema inglês.
O currículo do compositor indica que ele já trabalhou sob a batuta de alguns dos grandes cineastas do século 20, como Brian De Palma, Quentin Tarantino, Adrian Lyne, Giuseppe Tornatore, Wolfgang Petersen, John Boorman, Barry Levinson e Mike Nichols, entre outros.
Sobre a obra de Ennio Morricone, o cineasta Wolfgang Petersen disse uma vez que qualquer diretor de cinema sabe colocar lágrimas nos olhos de um ator, "mas é a música de Morricone que as faz rolar”.
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