Fato em Foco
Psiquiatria pede desculpas aos gays de todo o mundo
![]() (Foto: AFP) |
Milhões de americanos que no passado eram contrários a que se concedessem aos homossexuais direitos e proteção iguais – no emprego, no exército e no contexto familiar – agora reconhecem que a homossexualidade é uma opção de vida ou um tipo de comportamento com o qual já se vem ao mundo.
Essa mudança de atitude é conseqüência das declarações feitas recentemente pelo médico Robert Spitzer, considerado o pai da moderna Psiquiatria. Ao completar 80 anos e sofrendo do mal de Parkinson, Spitzer renegou os estudos que conduziu há mais de duas décadas, nos quais defendia a cura de gays – como se o homossexualismo fosse uma doença –, chegando inclusive a desenvolver um tipo de “terapia reparativa” que foi experimentada em todo o mundo.
A admissão pelo médico que suas pesquisas “são profundamente equivocadas” com certeza fará cair no descrédito o argumento de sociólogos e médicos conservadores de que a homossexualidade não faz parte da identidade humana.
A enorme repercussão das opiniões agora manifestadas por Robert Spitzer vem do fato de ele ter reescrito com rigor a versão americana do Manual Profissional de Desordens Mentais. Antes mesmo de refazer seu ponto-de-vista, ele já havia pedido a retirada do homossexualismo do manual. Seu ponto de partida foi uma pesquisa feita por telefone, na qual foram ouvidos 200 homens e mulheres gays que tinham se submetido à terapia reparativa ou a algum tipo de acompanhamento pastoral com o objetivo de mudar seu comportamento sexual. Muitos disseram ao médico que tinham mudado de uma orientação prodominante ou exclusivamente homossexual, antes do tratamento, para uma orientação prodominante ou exclusivamente heterossexual, depois.
Desculpas públicas
Agora Sptizer vem a público para revelar que sua pesquisa telefônica carece de fundamento. Numa carta enviada aos Arquivos sobre Comportamento Sexual dos Estados Unidos ele confessou que não dispõe de “formas de se certificar de que os pacientes que admitiram ter mudado de comportamento estavam se enganando, mentindo ou que responderam as perguntas de forma confiável”.
Em entrevista recente ao jornal New York Times, o médico pede desculpas públicas por ter divulgado “constatações sem fundamento ou provas” sobre a eficácia da terapia reparativa e pelos danos que passa de causado a todos aqueles que “desperdiçaram tempo e energia submetendo-se a um tratamento inoperante”.
Críticos da terapia reparativa ressaltam que as pessoas entrevistadas na época eram indicadas por centros que a praticavam e que – além dos interesses econômicos envolvidos – não havia um grupo de controle supervisionando a forma como as entrevistas foram conduzidas. Segundo esses críticos, há evidências de que a terapia pode levar à depressão e a pensamentos e comportamento suicidas. “Trata-se de um procedimento absurdo, potencialmente prejudicial à saúde psicológica, além de não passar de pseudo-psiquiatria. Devia ter sido banido a muito mais tempo”, diz uma nota oficial divulgada pelos Arquivos sobre Comportamento Social dos Estados Unidos.
A idéia de fazer uma reavaliação da terapia reparativa partiu do próprio Robert Spitzer, numa tentativa de atacar o poderoso lobby médico conservador que ele mesmo ajudou a criar. Em sua entrevista ao New York Times o psiquiatra confessou: “Devo um pedido de desculpas à comunidade gay de todo o mundo”.
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Comentários
Louvável a postura do dr. Spitzer ao se retratar publicamente, apesar dos danos que suas investigações possam ter causado na vida de muitos homossexuais. Seja como for, antes tarde do que nunca.
Concordo com o q disse Du. É no mínimo uma demonstração de grossura intelectual e espiritual referir-se a homossexuais como bicharada. Bravo médico Robert Sptiz por ter tido a dignidade de se retratar a tempo. Ainda existem fragmentos de esperança no mundo...
Luiz, muito obrigado, qm sabe vc tbm não pode me dar seu telefone e a gente possa sair e conversar sobre assuntos interessantes como... vc e eu???
Acho que as pessoas deveriam pensar melhor sobre homossexualismo e pelo menos respeitar. Discriminar, falar como se não fossem gente, chamar de "bicharada" é, no mínimo, infantil e agride o próximo. Fico feliz por ter dado tempo do médico se retratar.