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Alzheimer: uma nova esperança de cura
Autoridades da área de saúde dos Estados Unidos acabam de anunciar, depois de anos de experiências clínicas, que pessoas com tendência genética a desenvolver o mal de Alzheimer – embora no momento não apresentem sintomas – serão submetidas a uma droga capaz de evitar o surgimento da doença.
Especialistas garantem que a experiência é uma das primeiras jamais realizadas em casos de pessoas geneticamente predestinadas a desenvolver enfermidades. No caso específico do Alzheimer é uma pesquisa sem precedentes na história, “a primeira que visa pessoas aparentemente normais mas com alto risco de contrair esse mal degenerativo”, diz o médico Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, em entrevista ao jornal New York Times.
A maioria dos participantes virá da família com maior número de vítimas da doença, um vasto clã que inclui cinco mil pessoas, de Medelin, na Colômbia e em vilarejos nos arredores da cidade. Membros da família nos quais Alzheimer se manifestou começaram a apresentar os primeiros sintomas ao redor dos 45 anos de idade e demência total por volta dos 51 anos, tornando-se incapazes para o trabalho nos anos mais produtivos da vida na medida em que a memória foi desaparecendo e a moléstia rapidamente roubou-lhes a capacidade de se movimentar, comer, falar e se comunicar.
Uma investigação de US 100 milhões
Trezentos membros da referida família participarão dos testes iniciais, alguns deles tendo apresentado as tais mutações genéticas por volta dos 30 anos de idade, mas ainda assim muito longe de desenvolver os sintomas clássicos. “Por causa desse novo estudo, deixamos de nos sentir perdidos e sozinhos”, diz Gladys Betancur, de 39 anos, integrante da família colombiana. A mãe de Gladys morreu de Alzheimer, três parentes já apresentam sintomas da enfermidade e ela se submeteu recentemente a uma histerectomia (retirada do útero) por medo de ser passível de mutações genéticas e passá-las para um possível filho que venha a ter. “Muitas vezes pensei que a vida havia acabado para nossa família, mas agora sinto o conforto de saber que alguém está nos ajudando”, diz.
“A investigação, estimulada pelo presidente Barack Obama e orçada em US 100 milhões, terá duração de cinco anos, mas o alto nível de sofisticação dos testes é capaz de indicar, em apenas dois anos, se a droga ajuda a deter o declínio da memória, as alterações no cérebro e outras característica do mal de Alzheimeir”, afirma o médico Eric Reiman, diretor do Instituto Banner Alzheimer´s de Fênix, no Colorado.
Os especialistas envolvidos na pesquisa dizem que apesar de apenas uma pequena porcentagem das pessoas com Alzeheimer ter o mesmo tipo de alterações genéticas que afeta a família colombiana, a experiência em andamento deverá trazer informações que poderão ajudar milhões de vítimas em todo o mundo condenadas a desenvolver formas mais convencionais da doença.
Pobres, supersticiosos e condenados
Não existem garantias quanto ao sucesso da experiência a ser realizada com a família de Medelin e a Ciência, até agora, só conseguiu desenvolver tratamentos capazes de controlar a moléstia por alguns meses. Mas os médicos envolvidos no projeto dizem que experimentar drogas anos antes da manifestação dos sintomas pode ter grande potencial de cura, já que estão sendo aplicadas antes do cérebro ser devastado pela degeneração.
Em 2010 o New York Times denunciou a assustadora extensão do grau de demência que afetava a família colombiana e a grande esperança depositada pelos cientistas nos testes de prevenção. Convencer a indústria farmacêutica da importância do projeto, no entanto, demorou anos, uma vez que existem questões éticas condenando o uso de remédios em pessoas saudáveis, especialmente se elas vivem em países pobres, com pouca educação, baixa renda familiar e todo tipo de superstição em relação a uma enfermidade que chamam "La Bobera".
“A primeira pergunta que eu me fiz foi: ‘Estamos nos aproveitando dessa gente para realizar uma investigação científica’? A resposta, segundo o médico Richard Scheller, integrante do grupo, “foi um claro e sonoro não”.
Alzheimer: Quando a mente diz adeus. Veja o vídeo.
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