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Emico Okuno: os perigos da energia nuclear
O dia 11 tem provado ser um dia nefasto para humanidade. Este tem sido o dia escolhido por grandes catástrofes para chocar o mundo com episódios que marcarão para sempre a nossa história. A mais recente dessas catástrofes aconteceu na tarde de 11 de março de 2011. Um terremoto de nove pontos na escala Richter sacudiu a costa do Japão, sendo logo seguido por um tsunami que arrasou cidades, deixando 14 mil mortos e 16 mil desaparecidos, além de prejuízos incalculáveis. Foi um dos maiores abalos já registrados no planeta.
Como consequência, a Central Nuclear de Fukushima, localizada na região do sismo sofreu uma explosão que logo trouxe à mente e ao coração do mundo as conseqüências medonhas da radiação atômica. Acidentes como os das usinas de Chernobil, na Rússia, e Three Mile Island, nos Estados Unidos, assim como a explosão das bombas em Hiroshima e Nagasaki, ainda estão vivos na memória coletiva como provas da devastação que a energia nuclear é capaz de causar.
Para falar sobre o assunto, o Dom Total convida a cientista nuclear Emico Okuno, descendente de japoneses e doutora em Física pela Universidade de São Paulo com formação complementar em universidades dos Estados Unidos e da Europa.
Confira abaixo trechos da entrevista e no áudio acima a entrevista completa:
Marco Lacerda: Como a senhora reagiu diante das notícias sobre o desastre na usina de Fukushima?
Emico Okuno: Na verdade, eu levei um susto muito grande. Não poderia imaginar um acidente de tal como foi. Prefiro começar dizendo sobre o terremoto e o tsunami: nunca havia ouvido que poderia acontecer algo deste nível.
Marco Lacerda: Como cientista nuclear, de que maneira a senhora compreende o medo propagado no mundo depois da explosão da usina de Fukushima?
Emico Okuno: Acho que a população tem medo de algumas coisas. Hoje mesmo, no jornal Folha de São Paulo, diziam que o grande medo seria a radiação, em segundo lugar o crime. E vai por ai a fora.
Marco Lacerda: Como a senhora descreveria a situação que o Japão vive hoje depois do terremoto e do tsunami?
Emico Okuno: O Japão está, de certa forma, reagindo bem. Tenho uma sobrinha que mora a cerca de 160 km da usina e ela disse que 15 dias depois já estava tudo normalizado. Tinha gasolina, o que começou faltando, e o supermercado estava repleto de alimentos. Ela sente como se estivesse normal.
Marco Lacerda: Qual foi o impacto dessas mudanças ambientais para o resto do mundo?
Emico Okuno: Para o resto do mundo não há quase problema, porque é um acidente que está envolvendo aquela região ao redor da usina e o mar, na proximidade. Então não precisamos nos preocupar. O resto do mundo, na verdade, está tomando esse acidente como uma forma de pensar nas suas próprias usinas nucleares.
Marco Lacerda: Quais são os principais riscos de contaminação através de uma usina nuclear?
Emico Okuno: Na verdade, o que acontece é que, quando há vazamento de material radioativo, esse material é colocado na atmosfera. O vento é que leva essa poeira radioativa. Então depende muito da direção e velocidade do vento. O local onde a chuva cai acaba sendo o mais contaminado com o material radioativo.
No caso do Japão, essa poeira radioativa não é muito grande. É relativamente pequena, comparada com o acidente de Chernobyl, que foi muito, mas muito pior, e a poeira radioativa chegou até a Irlanda e contaminou todo o solo europeu.
No Japão há um agravante, que é o mar que está sendo contaminado nas vizinhanças do reator, mas eles estão coletando essa água para tentar dissolver em local distante de qualquer continente.
Marco Lacerda: O investimento em energia nuclear é uma tentativa dos países investirem também em armas nucleares?
Emico Okuno: Claro, alguns países que pensam nisso, é uma forma de se conseguir arma nuclear. E a pergunta que se faz é: por que alguns podem ter e outros não?
Entrevista realizada pelo jornalista Marco Lacerda no programa Frente Verso, que vai ao ar aos domingos, às 21h, pela Rádio Inconfidência FM (100,9), de Belo Horizonte.
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Comentários
Haha, essa é a pergunta que se faz.