Direito Ambiental / Sustentabilidade Reportagens
Encurtar distâncias é o caminho para garantir a sustentabilidade
O Fórum Social Mundial (FSM) chega à 10ª edição abrindo ainda mais espaço para a sustentabilidade e o meio ambiente. Um painel realizado no dia 27/02 no Cais do Porto, em Porto Alegre, reuniu representantes de seis países que apresentaram diferentes visões sobre o tema. Confira a reportagem de Maurício Macedo e publicada pelo Jornal do Comércio, 28/01/2010.
Para a brasileira Fátima Mello, da Federação das Organizações para Assistência Social e Educativa (Fase), as discussões sobre um novo sistema de vida sustentável devem liderar a agenda do FSM. "O fórum sempre foi um palco de reorganização da esquerda mundial. Com o fim da hegemonia norte-americana, superamos a etapa do pensamento único e do neoliberalismo. Agora, cabe a nós traçarmos os novos paradigmas de luta", comenta.
Em termos práticos, a dirigente da Fase apontou um caminho na busca pela sustentabilidade. "Podemos chamar de desglobalização, ou seja, desmontar esse mito do comércio global. Ele foi instituído como a única forma de salvação para os países, o que não é verdade", afirma.
Fátima sugere o incentivo às produções locais de comida como alternativa para garantir o abastecimento das cidades. "Quanto mais a gente encurtar o circuito entre produção e consumo, mais economia de energia teremos e, consequentemente, menos poluição no transporte. Além disso, não se fará necessário que os alimentos recebam altas doses de aditivos químicos para suportar longas viagens", explica.
Outro ponto importante, diz ela, é debater o crescimento econômico. "O quanto devemos crescer e de que forma são questões que se fazem necessárias para que possamos pensar na transição para um novo modelo sustentável", propõe.
Representando a Via Campesina da Indonésia, Indra Lubis também falou sobre a produção de alimentos. "Não existe mais falta de comida. Por isso, devemos nos perguntar: quem controla a produção mundial? Ela está na mão de um pequeno grupo de empresas transnacionais, que define o preço no mundo todo. Aliado a isso, estão sempre em busca de mais e mais terra para produzir, sem dar valor aos pequenos agricultores", analisa.
Luis Arnaldo Campos, do Fórum Social Pan-Amazônico, centrou o foco na questão urbana. "Atualmente, 60% da população mundial vive em cidades. No Brasil, são 80% nos grandes conglomerados urbanos. Precisamos rediscutir a ocupação humana no planeta", destaca.
Mas o que um representante da Amazônia tem a ensinar para quem vive no meio urbano?, questionou a reportagem do Jornal do Comércio. "Nós que somos da floresta, sabemos que a natureza não pode ser vista como inimiga. Mas com os casos recentes de inundações, muita gente pensa diferente. É preciso, antes de tudo, refletir sobre como são tratados os nossos rios urbanos, por exemplo. Eles não são vistos como rios, mas sim como canais ou esgotos. Além disso, a cultura do asfalto impera gerando a impermeabilização do solo e impedindo o escoamento das águas."




