Direito Ambiental / Sustentabilidade Entrevistas
"Se a Eletrobras chamar, podemos atender"
Presidente da Camargo Corrêa
Confira a entrevista com o presidente da Camargo Corrêa, Antonio Miguel Marques, publicada pelo jornal Valor, 22/04/2010.
O que levou à decisão de não disputar a licitação, como investidor, da usina de Belo Monte?
Fizemos todos os estudos de engenharia, de riscos do projeto e condições de financiamento e temos um critério rígido de taxa de retorno. E por isso decidimos sair da disputa como investidores. Mesmo depois das isenções de impostos concedidas pelo governo, anunciadas depois da nossa saída, a conta não chegava na taxa de retorno esperada. E a principal razão era o risco de submercado. Foi dura a decisão de sair. Mas a razão tem que superar a emoção.
O governo acredita que foi um grande blefe.
Não foi. Tanto não foi que está aí. A gente não voltou e não vai voltar, como investidor. Se a tarifa de R$ 83 já não passava nos nossos critérios, imagina a R$ 78.
Depois de sair como investidor, era natural voltar associado à Andrade Gutierrez em um consórcio construtor?
Não, não era natural essa associação. Ela foi negociada depois e não chegamos a fechar o acordo de fato em todos os detalhes. Mas agora nem adianta discutir isso porque ela perdeu o leilão.
Qual a perspectiva de obras daqui para frente?
Um programa grande de investimentos em geração vem pela frente. Alguns projetos como Teles Pires e Paranaíba, que podem sair ainda este ano. Além disso, para o ano que vem tem Marabá e Tapajós. Em um horizonte de dois, três anos, não vai faltar projeto.
E a associação com a Odebrecht vai continuar?
Cada projeto é um caso diferente. Em Belo Monte a união foi natural pelo porte do empreendimento. Não dava para ir sozinho. Em outros projetos somos capazes, e a Odebrecht também, de tocarmos sozinhos.
Foi difícil na hora de decidir sair chegar um consenso?
Descobrimos que nossos grupos têm modelos de gestão e critérios de investimentos rigídos e parecidos. Quando não passa na peneira, tem que descartar. Belo Monte não passou nas duas peneiras.
Será fácil ver como a Odebrecht irá em próximos projetos?
Cada projeto tem um diferente grupo investidor e são esses investidores que determinam as condições de participação e não as construtoras. Quando foi com a Suez, ela que determinou o ritmo.
A proposta do grupo liderado pela Chesf nesse leilão de Belo Monte está sendo considerada agressiva. É uma agressividade comparada a de vocês em Jirau?
A agressividade foi sim, parecida. Mas em Jirau havia um fator determinante, que era a mudança radical do projeto com a mudança do eixo de construção. Belo Monte, pelo que entendemos do edital, não é possível fazer essa mudança radical. Então, a tarifa apresentada pode não ter um fator de otimização como tínhamos em Jirau.
E se a Eletrobras chamar vocês para a construção de Belo Monte?
Dependendo dos termos do convite, nós iríamos. Se a Eletrobras nos chamar, nós podemos atender. É lógico que dá dó ficar de fora de um projeto como Belo Monte. Ainda mais que o estudamos por 30 anos. Mas são fatos da vida.




