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Estabilidade é grande atrativo da carreira pública

Em um mercado de trabalho cada vez mais saturado e concorrido, que sofre diretamente as consequências de crises financeiras e políticas, a estabilidade tornou-se bem valioso e muito cobiçado. A cada ano, cresce o número de pessoas dispostas a investir tempo e dinheiro na preparação para concursos públicos, que têm se mostrado a forma mais eficaz de se garantir um emprego seguro. Isso porque, após três anos de exercício, o concursado somente perde o cargo em virtude de sentença judicial ou mediante processo administrativo com defesa assegurada.

“Penso, assim como todos, que a grande vantagem é a estabilidade. De fato, em um sistema político, econômico e jurídico como o do Brasil, o risco de se perder o emprego, por mais competente que sejas, é enorme”, afirma Élcio Rezende, que atua no serviço público desde 1997, quando foi aprovado em concurso para defensor do Estado de Minas Gerias. Depois de ocupar o cargo por cinco anos, Élcio foi aprovado em novo concurso, desta vez para procurador da Fazenda Nacional.

Quem também está em busca da tão sonhada estabilidade é o advogado Afrânio Geraldo Chagas, que já participou da seleção para a Defensoria Pública e para o Tabelionato de Belo Horizonte e pretende fazer novas investidas. “Quero entrar na carreira pública, principalmente, pela estabilidade que ela proporciona. É uma forma de se obter uma segurança financeira e até mesmo psicológica para a busca de outros objetivos”, explica.

Outra vantagem do serviço público é o grande leque de opções. É possível se candidatar para vagas nas áreas administrativa, fiscal, bancária, jurídica, policial e de gestão, que estão distribuídas nos três poderes (legislativo, executivo e judiciário). No legislativo, são realizados concursos para a Câmara dos Deputados, Senado Federal, Câmara Legislativa do Distrito Federal e Assembléias Legislativas estaduais. No executivo, há vagas para os ministérios e secretarias, Instituto Rio Branco, Banco Central, entre outros. Já no judiciário, é possível ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Tribunais Eleitorais, para citar apenas alguns exemplos.

Para Vanessa Câmara, que estuda para concurso do Banco do Brasil, uma das grandes vantagens é o caráter democrático da seleção. “Na maioria dos casos, os concursos não exigem experiência. Também não há discriminação quanto ao sexo, situação financeira, raça, entre outros. A aprovação depende somente do nível de conhecimento e preparo do candidato”, afirma.

Além disso, os empregos públicos oferecem salários muitas vezes superiores aos praticados na iniciativa privada. Juízes dos Tribunais de Justiça recebem, em média, R$ 18 mil por mês. Para analistas com nível superior (engenheiros, jornalistas, fisioterapeutas, entre outros), os salários variam de R$2.000,00 a R$ 7.000,00. Quem não possui diploma de curso superior também pode sonhar com bons salários. Nos Tribunais Regionais do Trabalho, a remuneração para funcionários de nível médio chega a R$ 4 mil.

“São muito comuns subsídios iniciais entre R$ 10 mil e R$ 20 mil no serviço público. Tenho vários colegas, inclusive ex-alunos, que possuem pouco mais de vinte anos de idade e já ganham mais de quinze mil reais mensais. Isto não se vislumbra, comumente, na iniciativa privada”, avalia Élcio Rezende.

De acordo com Carlos Eduardo Guerra, vice-presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos e Concursados (ANPACC), a realização de concursos, além de muitos atrativos para os candidatos, também traz vantagens para o Estado. “Os piores órgãos são aqueles que não realizam concursos, uma vez que o processo seletivo qualificado gera a melhoria técnica do quadro funcional. O critério da indicação era nocivo para o sistema administrativo, gerando um corpo de servidores despreparados e, facilmente, corrompidos. Evidencia-se que o concurso diminui a corrupção, visto que um aprovado raramente se “venderá” por pouco”, defende.

Burocracia

Apesar de todas as vantagens, o serviço público apresenta pontos negativos. O principal deles, apontam especialistas, é a burocracia inerente à estrutura administrativa, que inibe mudanças com o objetivo de melhorar a prestação do serviço. “Outra desvantagem é que os funcionários não são reconhecidos pelo desempenho. Os acomodados ganham o mesmo salário dos que se esforçam”, aponta Leonardo Vidigal, procurador do Estado desde 1998. De acordo com Élcio Rezende, a falta de incentivos pode ser desestimulante e, consequentemente, contribuir para a desqualificação do empregado. “Para se ter uma idéia, com quatro anos de carreira cheguei ao nível mais alto e, quando aposentar, terei a mesma remuneração de hoje. Isso, muitas vezes, leva o servidor público ao comodismo”, completa.