Colunistas Felipe Peixoto Braga Netto
30/06/2010
Dom Helder Câmara: uma breve biografia (Parte X)
20. Prêmio Nobel da Paz
Dom Helder foi indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz. O vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1968, René Cassin, argumentou que atribuir o Prêmio Nobel da Paz a Dom Helder simbolizaria “a luta para a melhoria das condições de vida por meios pacíficos”. Não só ele. O Consultor do Comitê do Nobel, Jakob Sverdrup, manifestou-se com veemência a favor de Dom Helder.
Dom Helder tentava acalmar as expectativas dos amigos, sempre esperançosos em vê-lo receber o Prêmio Nobel da Paz. Nos anos seguintes a candidatura de Dom Helder era novamente lançada. O Prêmio Nobel da Paz de 1970 – contrariando as expectativas gerais – foi para o professor norte-americano Norman Borlaug, que realizou pesquisas com cereais.
O que Dom Helder não sabia era da eficaz e silenciosa campanha promovida, insidiosamente, pelo governo militar brasileiro contra sua premiação. A embaixada brasileira em Oslo devia agir – sob as ordens do general Emílio Garrastazu Médici – para afastar a possibilidade do Nobel da Paz ser atribuído a Dom Helder.
Em fevereiro de 1974, entidades de vários países – Alemanha, Holanda, Suécia, Bélgica, Dinamarca, entre outros – agraciam Dom Helder com Prêmios Populares da Paz, como uma espécie de resposta pela não-premiação pelo Nobel. Com o dinheiro – cerca de 300 mil dólares – foi comprado um engenho, de 810 hectares, para promover assentamentos rurais.
Alguns anos depois – em julho de 1980 – quando o Papa João Paulo II visitou o Brasil, a revista Veja escreveu: “A visita do papa, que premiou dom Helder com o mais caloroso dos abraços que distribuiu no Brasil, foi uma espécie de passaporte para a reabilitação pública do arcebispo de Olinda e Recife”. A mesma revista afirmou: “Há dez anos, quem visse dom Helder Camara entrando num prédio público podia estar certo: ia depor em algum IPM (inquérito policial militar). Da mesma forma, quem visse um grupo de militares fardados entrando no Palácio de Manguinhos, sede da Arquidiocese de Olinda e Recife, podia garantir: foram buscar o bispo”. O Papa João Paulo II, além do mais caloroso abraço que deu no Brasil ter sido destinado a Dom Helder, ainda disse publicamente: “Irmão dos pobres. Meu irmão”.
Créditos
Queremos deixar registrado – com toda clareza e sentimento de gratidão – que grande parte das informações trazidas nesta ocasião foram extraídas da admirável biografia – Dom Helder Camara, o profeta da paz – escrita por Nelson Piletti e Walter Praxedes (São Paulo: Editora Contexto, 2008), cuja leitura recomendamos.
Dom Helder foi indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz. O vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1968, René Cassin, argumentou que atribuir o Prêmio Nobel da Paz a Dom Helder simbolizaria “a luta para a melhoria das condições de vida por meios pacíficos”. Não só ele. O Consultor do Comitê do Nobel, Jakob Sverdrup, manifestou-se com veemência a favor de Dom Helder.
Dom Helder tentava acalmar as expectativas dos amigos, sempre esperançosos em vê-lo receber o Prêmio Nobel da Paz. Nos anos seguintes a candidatura de Dom Helder era novamente lançada. O Prêmio Nobel da Paz de 1970 – contrariando as expectativas gerais – foi para o professor norte-americano Norman Borlaug, que realizou pesquisas com cereais.
O que Dom Helder não sabia era da eficaz e silenciosa campanha promovida, insidiosamente, pelo governo militar brasileiro contra sua premiação. A embaixada brasileira em Oslo devia agir – sob as ordens do general Emílio Garrastazu Médici – para afastar a possibilidade do Nobel da Paz ser atribuído a Dom Helder.
Em fevereiro de 1974, entidades de vários países – Alemanha, Holanda, Suécia, Bélgica, Dinamarca, entre outros – agraciam Dom Helder com Prêmios Populares da Paz, como uma espécie de resposta pela não-premiação pelo Nobel. Com o dinheiro – cerca de 300 mil dólares – foi comprado um engenho, de 810 hectares, para promover assentamentos rurais.
Alguns anos depois – em julho de 1980 – quando o Papa João Paulo II visitou o Brasil, a revista Veja escreveu: “A visita do papa, que premiou dom Helder com o mais caloroso dos abraços que distribuiu no Brasil, foi uma espécie de passaporte para a reabilitação pública do arcebispo de Olinda e Recife”. A mesma revista afirmou: “Há dez anos, quem visse dom Helder Camara entrando num prédio público podia estar certo: ia depor em algum IPM (inquérito policial militar). Da mesma forma, quem visse um grupo de militares fardados entrando no Palácio de Manguinhos, sede da Arquidiocese de Olinda e Recife, podia garantir: foram buscar o bispo”. O Papa João Paulo II, além do mais caloroso abraço que deu no Brasil ter sido destinado a Dom Helder, ainda disse publicamente: “Irmão dos pobres. Meu irmão”.
Créditos
Queremos deixar registrado – com toda clareza e sentimento de gratidão – que grande parte das informações trazidas nesta ocasião foram extraídas da admirável biografia – Dom Helder Camara, o profeta da paz – escrita por Nelson Piletti e Walter Praxedes (São Paulo: Editora Contexto, 2008), cuja leitura recomendamos.
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Comentários
Va bene! Virei por aqui mais vezes! - Agora posso dizer até onde achar-te!rs Felicidades!