Colunas Juliano Paiva

20/08/2012

Clássico é um campeonato à parte


Atlético fatura o primiero turno ciente de que o que interessa mesmo é o caneco no final do ano

O que o Cruzeiro fez neste final de semana, poupando dois importantes jogadores na partida contra o Coritiba, dá bem a medida da importância do clássico. Leandro Guerreiro, com dois cartões amarelos, e Montillo, com dores na coxa direita, não enfrentaram o Coxa por opção da comissão técnica e diretoria. Com eles em campo, a vida do time paranaense não teria sido tão fácil.

Ficou claro que o pensamento na Toca da Raposa II é um só: vencer o Atlético. Não existe outro resultado que interesse. Mesmo porque uma vitória em cima do maior rival e líder do Campeonato Brasileiro dará ânimo extra e confiança para a busca de uma vaga na Taça Libertadores. E, de quebra, ainda atrapalharia o Galo no seu objetivo de ser campeão.

A torcida celeste só aceita a vitória. Pior do que ver o Cruzeiro no meio da tabela é ter de “aguentar” o excelente momento do Galo.

O Atlético, por sua vez, não quer de jeito nenhum tropeçar justamente diante do rival histórico. A vitória ainda representaria a manutenção de, no mínimo, três pontos de frente sobre o vice-líder Fluminense e com um jogo a menos devido ao absurdo adiamento da partida contra o Flamengo.  

O atleticano, claro, também não pensa em outro resultado. Em que pese a campanha quase perfeita, o clássico é um campeonato à parte. Principalmente depois do vexame na última rodada no Brasileirão 2011 quando foi goleado pelo Cruzeiro, por 6 a 1. A torcida do Galo sabe que devolver o placar é praticamente impossível, mas vencer o clássico neste momento mágico vivido pelo clube seria especial.

Melhor momento não garante vitória

Clássico não se ganha por antecipação, principalmente quando se trata de um Cruzeiro x Atlético. A história do confronto já provou isso diversas vezes.

E há um clássico entre os dois gigantes de Minas, no Brasileirão 2001, pela 16ª rodada, que lembra o momento atual das equipes. A situação é bem parecida.

O Atlético liderava o campeonato com 33 pontos, enquanto o Cruzeiro estava em 21º lugar, com 17 pontos, apenas dois acima da zona de rebaixamento. Na época, o Nacional tinha 28 clubes, sendo que quatro eram rebaixados e oito se classificavam para as quarta de final.

Era o dia 6 de outubro daquele ano. O Mineirão estava lotado, mas a torcida do Galo era praticamente o dobro da do Cruzeiro naquela tarde. Havia motivos para tanto. Além de líder, o Galo tinha o melhor ataque com 33 gols e a melhor defesa, com 14 gols sofridos, e uma dupla que soube fazer os atleticanos felizes: Marques e Guilherme.

Um desavisado ou mesmo alguém que não goste de futebol e, portanto, desconhece a sua imprevisibilidade, poderia imaginar que o Alvinegro golearia facilmente.

Futebol não é assim. Clássico não é assim. O Cruzeiro saiu na frente com dois gols de Alex. Sim, aquele que dois anos mais tarde daria o primeiro título brasileiro ao time azul. A partida parecia decidida. O líder estava batido. Nada disso! Ramon, aos 41 minutos do segundo tempo, e Marques, aos 43, balançaram as redes: 2 a 2, placar final.

Este jogo prova que não é impossível bater um time que vive melhor momento do que o outro. Prova também que uma equipe, por melhor que esteja, não pode subestimar outra que se encontra mal na tabela. Principalmente em se tratando de clássico.

Outra coincidência. Aquele clássico era um Cruzeiro x Atlético, como o do próximo domingo.

Confira os principais lances daquela partida: 

E agora, onde vamos?

Imagine você, cruzeirense fanático, chegando em casa e se deparando como seu pai, aquele que o ensinou a amar as cores azul e branca, vestido com a camisa do Atlético.

Não muito longe dali, um atleticano apaixonado pelo Galo vê seu irmão mais velho que o levava ao campo quando criança para ver o Alvinegro jogar, trajando a camisa do Cruzeiro.

Tais situações parecem surreais, mas são mostradas no filme francês “E agora, onde vamos?”, da diretora Nadine Labaki, que também atua no longa. Claro, os personagens não são atleticanos e cruzeirenses, mas sim cristãos e mulçumanos que vivem numa guerra sem fim.

“E agora, onde vamos?” é uma adaptação de um clássico grego sobre um problema do Líbano. A história se passa em um isolado e pequeno vilarejo. As mulheres do local, mulçumanas e cristãs, tentam pacificar seus homens, no longa mostrados como guerreiros bravos e idiotas. Até mesmo dançarinas ucranianas são recrutadas para acalmar os violentos machos. Tudo para que não haja um massacre entre mulçumanos e cristãos num pequeno lugar no meio do nada. Tudo para que prevaleça a paz.

Paz que não houve entre flamenguistas e vascaínos neste final de semana quando um torcedor do Vasco foi baleado e morto.

A próxima rodada será recheada de clássicos. São apenas jogos, não é preciso matar, brigar, ofender por causa deste ou daquele time. Basta torcer.

Atleticanos e cruzeirenses, colorados e gremistas, botafoguenses e flamenguistas, vascaínos e torcedores do Fluminense, corintianos e são-paulinos, santistas e palmeirenses, torcedores do Sport e do Náutico, serão rivais apenas dentro de campo no próximo final de semana. E por pouco mais de 90 minutos.

Todos bem que poderiam assistir ao citado filme antes da emocionante rodada. Veriam quão sem sentido é brigar por religião, política e futebol.

Veja o trailer do filme: 

Atlético x Botafogo e Coritiba x Cruzeiro

O Atlético conseguiu três difíceis e valiosos pontos ao vencer o Botafogo. Foi certamente o duelo mais difícil que o Galo teve no Independência. O triunfo o levou ao título simbólico de campeão do primeiro turno. Mas é como disse sabiamente Ronaldinho Gaúcho. Isso não vale absolutamente nada. Só valerá realmente se ao final do Nacional o campeão for o Atlético.

Já o Cruzeiro pagou caro no Couto Pereira pelos diversos desfalques, alguns “planejados” como Montillo e Leandro Guerreiro. Estranho é ver comissão técnica e jogadores falando em “vergonha” ou “não entramos em campo”, sendo que todos estavam cientes da dificuldade da partida. Sabiam também que dois importantes atletas não jogariam por opção. Resta tentar vencer o Atlético.

Elenco desfalcado

André fez falta ao Atlético contra o Atlético-GO. Jô não estava numa noite feliz e um outro homem de área poderia ter balançado as redes. Neste partida ficou claro que o Galo precisa contratar um atacante. É sabido também que falta um zagueiro. Não é hora de vacilar. A diretoria tem que agir rápido.

O Alvinegro ainda terá 21 partidas pela frente. É muito campeonato e o elenco, tão elogiado até agora, está desfalcado. Ainda é um bom elenco, tanto que o terceiro gol sobre o Botafogo, o da vitória, saiu dos pés de dois reservas, Carlos César e Neto Berola. Mas ainda assim precisa de mais um atacante e um zagueiro.


Juliano Paiva é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.


Comentários








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luizotavio | 21/08/2012 12:59
Concordo, Juliano. obrigado pela atenção. Concordo que o Galo precisa entrar neste clima. Mas temos que lembrar também, como os colegas falaram também, para o Atlético este jogo é vital. Não tem sido encarado de forma diferente pela torcida. Porém, um contrataque atleticano pode decidir o jogo, dependendo do ímpeto dito pelo time do Cruzeiro. Lembremos que o Roth segura o meio campo com tres volantes, e acho que domingo será assim. Como disse, da mesma forma que o Atlético não poupou ninguém eu acho que o Cruzeiro também não deveria ter poupado.
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Juliano Paiva - EDITOR | 21/08/2012 07:36
Olá Luizotavio... bom dia! O Cruzeiro se encontra numa situação delicada. À beira do G4, o time não tem forças para entrar. E ainda vê o Atlético líder e apresentando um bom futebol. Portanto, é até compreensível apostar todas as fichas no clássico. Se ganha, terá confiança e, talvez, mais importante, a torcida ao lado do time no restante do campeonato. Mas o tiro pode sair pela culatra. Uma derrota pode significar crise na Toca II. Parte da torcida não engole o Roth, apesar de ele estar fazendo um bom trabalho tendo em vista as limitações do elenco. E outra parte da torcida, se não a mesma, pediu a saída até do presidente, Gilvan Tavares. Pelo lado celeste, a partida é vista como a decisão de um Mundial. O Atlético precisa entrar neste clima também, caso contrário será presa fácil, mesmo sendo melhor time, como na última rodada do ano passado. No mais, obrigado pelo comentário e um grande abraço!
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Fernando Galeano | 20/08/2012 23:27
O certo é que o Galo terá pela frente a partida mais difícil do ano. O Cruzeiro está louquinho para ganhar do Atlético. O Galo precisa jogar sério, como se valesse título. O Cruzeiro vai entrar ligadão e terá toda a torcida a seu favor. Vamos ver como o nosso Galo vai reagir com essas adversidades.
responder comentário Responder Fernando Galeano







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