Colunas João Batista Libânio
23/12/2011
Estórias de Natal
A história com H, ampla, quer dar conta do agir humano nas suas relações complexas e diversificadas. Dentro dela cabem as histórias menores, reais e concretas de nossas vidas. O ser humano consegue arrancar-se tanto da História como das histórias, e inventar outras que nunca aconteceram no realismo de suas descrições, mas traduzem as tramas interiores de sonhos e desejos. Chamamo-las de estórias.
A festa de Natal comporta as três espécies. Deus nascendo criança dá um sentido novo, original e transtornador à grande História. Já não podemos pensá-la corretamente a partir dos poderosos. Falseamos-lhe a compreensão. Toda leitura da História, que desconheça o Natal do Menino Divino e, pior ainda, que o contradiga, induz a erro fatal, não ilumina verdadeiramente os acontecimentos, confunde-lhes os sentidos.
As pequenas histórias de nossa vida, caibam ou não na racionalidade maior dos sistemas, deixam-se entender, julgar, pautar pela história menor daquela família de Nazaré. Nesse sentido, lemos, meditamos, rezamos no tempo natalino a história do nascimento. Cada vez que o fazemos encontramos nova luz, novos conhecimentos, novas intuições para clarear os desenhos de nosso agir diário.
Natal significa mais que um fato decisivo da História humana. Natal encerra mais que pequena história que nos comove e converte. Natal revela arquétipo que inspira milhões de estórias, que mexe com os desejos profundos, que provoca sonhos infindos. Eis o lado de “estória” do Natal.
A infância é a idade privilegiada de ouvir e vivenciar enriquecedoramente as estórias. Quando elas faltam, parece que a vida perde cor e beleza. As crianças ficam pobres de coração, perdem raízes, entregam-se facilmente à leviandade dos mitos artificiais da cultura de massa.
As crianças, ao ouvir estórias, trabalham problemas interiores. E quando estas carregam a densidade do mistério, o efeito benéfico aumenta. As estórias de Natal têm anjos, céu estrelado, inverno com neve, manjedoura, animais, pastores, presentes, São José, a Virgem Maria e sobretudo o Menino Jesus. Em cada criança, dorme o desejo de ser um Menino Jesus, adorado pela mãe e pelo pai da terra. Ele causa alegria nos céus. Os anjos vêm em revoada festejar-lhe o nascimento. Os pastores, pessoas bem da terra, ligadas a animais queridos, também trazem presentes. O bafo cálido dos animais aquece o frio da gruta. A ternura da jovem mãe supera a desproteção do presépio.
Não faltam os perigos do Rei Herodes que quer matar a criança. Na hora exata interfere o anjo e salva. A criança necessita ser estimulada nesse desejo de bondade, mas dentro do realismo do mundo com os perigos. Precisa confiar nos anjos que fazem festa e defendem. A pobreza e simplicidade do presépio desloca o valor das coisas materiais para centrá-lo na pessoa do Menino. As atenções voltam-se para a criança de que ela tanto necessita. Os presentes valem à medida que traduzem a experiência do carinho e da presença e nunca seu substitutivo.
Tempo de Natal! Oxalá os pais gastassem algumas horas contando estórias natalinas para os filhos pequenos, encantando-lhes a noite, fazendo-os adormecer cercados de anjos, em vez dessa poluição de imagens dos programas televisivos com mitos vazios e destruidores dos valores profundos. Quantos já na idade adulta e até mesmo avançada recordam com felicidade das estórias que lhes povoaram de beleza e pureza a aurora da vida! O poentes parecem belos quando a aurora despontou com esplendor.
A festa de Natal comporta as três espécies. Deus nascendo criança dá um sentido novo, original e transtornador à grande História. Já não podemos pensá-la corretamente a partir dos poderosos. Falseamos-lhe a compreensão. Toda leitura da História, que desconheça o Natal do Menino Divino e, pior ainda, que o contradiga, induz a erro fatal, não ilumina verdadeiramente os acontecimentos, confunde-lhes os sentidos.
As pequenas histórias de nossa vida, caibam ou não na racionalidade maior dos sistemas, deixam-se entender, julgar, pautar pela história menor daquela família de Nazaré. Nesse sentido, lemos, meditamos, rezamos no tempo natalino a história do nascimento. Cada vez que o fazemos encontramos nova luz, novos conhecimentos, novas intuições para clarear os desenhos de nosso agir diário.
Natal significa mais que um fato decisivo da História humana. Natal encerra mais que pequena história que nos comove e converte. Natal revela arquétipo que inspira milhões de estórias, que mexe com os desejos profundos, que provoca sonhos infindos. Eis o lado de “estória” do Natal.
A infância é a idade privilegiada de ouvir e vivenciar enriquecedoramente as estórias. Quando elas faltam, parece que a vida perde cor e beleza. As crianças ficam pobres de coração, perdem raízes, entregam-se facilmente à leviandade dos mitos artificiais da cultura de massa.
As crianças, ao ouvir estórias, trabalham problemas interiores. E quando estas carregam a densidade do mistério, o efeito benéfico aumenta. As estórias de Natal têm anjos, céu estrelado, inverno com neve, manjedoura, animais, pastores, presentes, São José, a Virgem Maria e sobretudo o Menino Jesus. Em cada criança, dorme o desejo de ser um Menino Jesus, adorado pela mãe e pelo pai da terra. Ele causa alegria nos céus. Os anjos vêm em revoada festejar-lhe o nascimento. Os pastores, pessoas bem da terra, ligadas a animais queridos, também trazem presentes. O bafo cálido dos animais aquece o frio da gruta. A ternura da jovem mãe supera a desproteção do presépio.
Não faltam os perigos do Rei Herodes que quer matar a criança. Na hora exata interfere o anjo e salva. A criança necessita ser estimulada nesse desejo de bondade, mas dentro do realismo do mundo com os perigos. Precisa confiar nos anjos que fazem festa e defendem. A pobreza e simplicidade do presépio desloca o valor das coisas materiais para centrá-lo na pessoa do Menino. As atenções voltam-se para a criança de que ela tanto necessita. Os presentes valem à medida que traduzem a experiência do carinho e da presença e nunca seu substitutivo.
Tempo de Natal! Oxalá os pais gastassem algumas horas contando estórias natalinas para os filhos pequenos, encantando-lhes a noite, fazendo-os adormecer cercados de anjos, em vez dessa poluição de imagens dos programas televisivos com mitos vazios e destruidores dos valores profundos. Quantos já na idade adulta e até mesmo avançada recordam com felicidade das estórias que lhes povoaram de beleza e pureza a aurora da vida! O poentes parecem belos quando a aurora despontou com esplendor.
João Batista Libânio
é teólogo jesuíta. Licenciado em Teologia em Frankfurt (Alemanha) e doutorado pela Universidade Gregoriana (Roma). É professor da FAJE (Faculdades Jesuítas), em Belo Horizonte. Publicou mais de noventa livros entre os de autoria própria (36) e em colaboração (56), e centenas de artigos em revistas nacionais e estrangeiras. Internacionalmente reconhecido como um dos teólogos da Libertação.
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